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sábado, 30 de junho de 2012
sábado, 16 de junho de 2012
A suplementação de vitamina D pode melhorar a hipertensão
A vitamina D3 pode atuar como um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA) em pacientes obesos com hipertensão. O tratamento crônico com vitamina D3 poderia, portanto, reduzir o risco de doença renal crônica em pacientes obesos ao reduzir a atividade do sistema renina-angiotensina (SRA).
Anand Vaidya, MD, MMSc, da Harvard Medical School em Boston, Massachusetts, apresentou a pesquisa em uma sessão de poster nas Sessões Científicas de 2012 de Arteriosclerose, Trombose e Biologia Vascular. Ele discutiu o poster com o Medscape Medical News e explicou que “esse é um estudo de fisiologia desenhado como um estudo conceitual”.
O poster descreveu os resultados no primeiro estudo intervencionista em humanos desenhado para avaliar se o tratamento com a vitamina D tem efeito na atividade do sistema renina-angiotensina em pacientes obesos. Esses pacientes foram escolhidos por estarem em alto risco de doença renal crônica. Um estudo de seguimento está sendo realizado com pacientes de peso normal.
O estudo envolveu 14 pacientes com obesidade mórbida (índice de massa corporal, 36kg/m²) com hipertensão, pré diabetes, e níveis de 25-hidroxivitamina D (25-OH D) abaixo de 25 ng/ml, e função renal normal. Os pesquisadores utilizaram um protocolo meticulosamente controlado que já havia mostrado previamente a obtenção de medidas confiáveis do sistema renina-angiotensina. Para isso, eles controlaram todos os moduladores potenciais desses sistema. Por exemplo, como muitas medicações podem afetar o sistema renina-angiotensina, os sujeitos interromperam todos os medicamentos por 3 meses.
A duração do tratamento com vitamina D3 foi restrita a um mês para minimizar a falta de adesão dos pacientes e outros confundidores como perda de peso e mudanças dietéticas. Ao longo do mês, os pacientes receberam 15.000 UI de vitamina D3 por dia. Os níveis séricos médios de 25-OH D aumentaram de 18mg/dl a 52 mg/dl.
Os indivíduos passaram a noite no hospital em posição supina antes de se realizarem as medidas de fluxo sanguíneo renal. Os pesquisadores descobriram que o tratamento com altas doses de vitamina D3 aumentou o fluxo renal basal em 5% e reduziu a pressão arterial média supina.
Como esperado, a infusão contínua de angiotensina II reduziu o fluxo sanguíneo renal. A vitamina D3 aumentou a responsividade vascular renal a uma infusão contínua de angiotensina II. Isso foi representado por um grande declínio no fluxo sanguíneo renal (p < 0,05) depois do tratamento com a vitamina D3. O Dr. Vaidya explicou que o tamanho do efeito foi pequeno, mas destacou que esse efeito foi observado após apenas 1 mês de tratamento com vitamina D.
A resposta a angiotensina II é inversamente proporcional a ativação do sistema renina-angiotensina, e os resultados sugerem uma redução nesses sistema vascular renal em pacientes que estão recebendo vitamina D. Os pesquisadores concluíram que a vitamina D3 e os inibidores da enzima conversora de angiotensina têm o mesmo mecanismo de ação.
Tochi M. Okwuosa, MD, do Wayne State University em Detroit, Michigan, discutiu o poster com o Medscape Medical News e observou que a pesquisa foi “muito interessante e extremamente detalhada”.
Os achados foram consistentes com observações cruzadas prévias dos pesquisadores, demonstrando uma sensibilidade vascular a angiotensina II em pacientes obesos com hipertensão e menores níveis plasmáticos de 25-OH D. O estudo atual mostrou que o tratamento com a vitamina D3 foi capaz de “corrigir” a responsividade tissular a angiotensina II, como fazer os inibidores da enzima conversora de angiotensina. Isso sugere que uma vitamina D baixa está associada com o aumento da atividade tissular do sistema renina-angiotensina.
Pacientes obesos podem se beneficiar de mais vitamina D
A obesidade e a hipertensão levam a um alto risco de doença renal, e o tratamento com inibidores da enzima conversora de angiotensina demonstrou reduzir esse risco. Esses achados podem, assim, dar suporte a manutenção de níveis mais elevados de 25-OH D em pacientes obesos com hipertensão. Essa abordagem individualizada pode reduzir a atividade do sistema renina-angiotensina no tecido renal e vascular e adiar o desenvolvimento de doenças metabólicas e vasculares associadas com essas condições.
O Dr. Vaidya disse claramente que o papel do tratamento com a vitamina D em evitar o desenvolvimento de doenças associadas com excesso de atividade do sistema renina-angiotensina ainda não foi bem determinado. Ele sente, no entanto, que essa área merece investigação.
Ele explicou que o mecanismo de ação por traz da intervencionista não é bem compreendido, e é difícil desenhar um bom estudo.
Muitos estudos intervencionistas permitiram que os pacientes permanecessem em uso dos seus inibidores da enzima conversora de angiotensina. O Dr. Vaidya se preocupou que os efeitos da vitamina D na inibição do sistema renina-angiotensina fossem mascarados pela presença de inibidores mais poderosos.
O Dr. Vaidya enfatizou que a inibição do sistema renina-angiotensina induzida pela vitamina D deveria ser considerada ao se desenhar futuros estudos intervencionistas que avaliariam a influência do tratamento com vitamina D3 em resultados vasculares. Ele explicou que “entender o mecanismo pode influenciar como estudamos os resultados”.
O Dr. Vaidya e Dr. Okwuosa não declararam relações financeiras relevantes.
O óleo de peixe apresenta pequeno efeito nos tiques da síndrome de Tourette
Alguns pais tem grande confiança no óleo de peixe como um tratamento para os “tiques” causados pelo transtorno de Tourette, mas até agora são poucas as evidências de pesquisa.
Em um pequeno estudo de crianças com síndrome de Tourette, os pesquisadores observaram que os ácidos graxos ômega-3 não eram melhores que um placebo na redução da gravidade dos tiques.
Por outro lado, crianças que usaram ômega-3 mostraram uma melhora no grau em que os tiques os incomodavam, relataram os pesquisadores em 14 de maio no periódico Pediatrics.
Por enquanto, não está claro o que fazer com esses resultados, de acordo com a pesquisadora principal Dra. Vilma Gabbay, do Centro de Estudos da Criança NYU, em Nova York e do Instituto de Pesquisa Psiquiátrica Nathan S. Kline em Orangeburg, Nova York.
É possível que os suplementos de ômega-3 tenham afetado o bem-estar das crianças, disse a Dra. Gabbay. Há evidências, por exemplo, de que os ômega-3 possam ajudar a aliviar sintomas de depressão.
Mas o estudo foi pequeno e teve outras limitações. Segundo a Dra. Gabbay, a principal é que estudos maiores são necessários para avaliar se pode haver um papel para suplementos de omega-3 no manejo do Tourette.
Muitas crianças com síndrome de Tourette não precisam de nenhum tratamento especial. Mas outras apresentam sintomas que interferem em sua vida diária, ou tem comorbidades, como o transtorno obsessivo-compulsivo, que podem justificar um tratamento.
“O problema é que as medicações atualmente em uso são pouco toleradas, ou às vezes simplesmente não funcionam”, disse a Dra. Gabbay à Reuters Health. Alguns desses medicamentos incluem antidepressivos, anti-convulsivantes e antipsicóticos.
Curiosamente, disse a Dra. Gabbay, alguns pais relataram que os suplementos de ômega-3 ajudaram a controlar os tiques de seus filhos.
Segundo a Dra. Gabbay, existem razões biológicas para se acreditar que o ômega-3 pode ajudar a reduzir os tiques de Tourette. Pesquisas de laboratório sugerem, por exemplo, que os lipídios afetam certos mediadores cerebrais envolvidos na comunicação e inflamação de celulas nervosas, e se acredita que também estão envolvidos na síndrome de Tourette.
Mas este é o primeiro ensaio clínico a comparar o óleo de peixe contra um placebo, para testá-lo objetivamente.
A Dra. Gabbay e colaboradores randomizaram 33 crianças e adolescentes com síndrome de Tourette para receber uma cápsula de óleo de peixe ou cápsulas de placebo contendo azeite de oliva. Dependendo da idade, as crianças do grupo intervenção receberam 500 ou 1.000 mg de ômega-3 ao dia.
Após 20 semanas, as crianças de ambos os grupos estavam apresentando melhoras na gravidade dos tiques. Mas o grupo de óleo de peixe não estava melhor que o grupo placebo.
No entanto, as crianças recebendo óleo de peixe tinham maior probabilidade de relatar melhora no bem-estar e no impacto que os tiques tinham em suas vidas.
Mais da metade era de “respondedores” neste grupo, contra um quarto a um terço das crianças no grupo placebo.
Exatamente o que tudo isso significa não está claro.
É possível, de acordo com o Dr. Gabbay, que os ômega-3 tenham afetado a forma como as crianças percebiam seus tiques, embora não houvesse nenhum efeito claro sobre a gravidade dos tiques. Mas, ela disse: “Eu não vou dizer aos pais que os ômega-3 são a pílula mágica”.
Ela disse que um grande ensaio clínico é necessário. E provavelmente seria conveniente usar um placebo diferente, ela ressaltou. O azeite de oliva não é um placebo ideal, porque pode indiretamente afetar os níveis corporais de ácidos graxos ômega-3.
Ele disse que algo como óleo de milho seria um placebo melhor.
Por enquanto, a Dra. Gabbay recomenda que os pais prestem atenção à quantidade de ácidos graxos ômega-3 na dieta de seus filhos. Segundo a Dra. Gabbay, se uma criança com síndrome de Tourette não come peixe, pode valer a pena tentar cápsulas de ômega-3. “Mas não se deve esperar que irão beneficiar a gravidade dos tiques”, disse ela.
Referencias:
Pediatrics 2012.
Uma relação complicada entre bebidas dietéticas e saúde
Estudos têm apontado que os amantes de refrigerantes dietéticos poderiam enfrentar um maior risco de diabetes e doença cardíaca, mas novos achados sugerem que a dieta geral da pessoa é o que mas importa, no final.
Um estudo recente se tornou o primeiro a relacionar o refrigerante dietético com o risco de infarto e acidente vascular encefálico (veja o histórico da Reuters Health em 17 de fevereiro de 2012). Mas ainda ninguém foi capaz de dizer se as bebidas sem açúcar merecem essa má fama.
Muitos fatores separam os consumidores de bebidas dietéticas e regulares – e, assim, as pessoas que preferem água. Um estudo mais recente tentou avaliar o padrão de dieta em geral dos indivíduos, disse a pesquisadora principal Dra. Kiyah J. Duffey da University of North Carolina at Chapel Hill.
Ela e seus colegas utilizaram dados de mais de 4000 americanos que se inscreveram em um estudo de longa duração sobre saúde cardíaca. Eles tinham todos entre 18 e 30 anos quando o estudo começou no meio dos anos 80.
Ao longo dos 20 anos seguintes, 827 participantes do estudo desenvolveram síndrome metabólica. Os pesquisadores descobriram que os adultos jovens que consumiam bebidas dietéticas tinham mais chance de desenvolver síndrome metabólica do que os que não as consumiam nos 20 anos seguintes.
Mas a situação se tornou mais complexa quando a equipe da Dra. Duffey considerou também o papel da dieta. O menor risco de síndrome metabólica foi observado entre pessoas que não consumiam bebidas dietéticas e seguiam uma dieta “prudente” - rica em alimentos como frutas, vegetais, cereais integrais e peixes.
Além disso, aqueles que consumiam uma dieta prudente mas bebiam bebidas dietéticas tiveram um risco maior de síndrome metabólica – mas não muito.
Ao longo de 20 anos, 20% desses homens e mulheres desenvolveram síndrome metabólica, contra 18% dos que se alimentavam de forma prudente que não consumiam bebidas dietéticas, relatou a equipe da Dra. Duffey em 29 de fevereiro no American Journal of Clinical Nutrition.
Os participantes com maior risco de síndrome metabólica – 32% - foram aqueles que bebiam bebidas dietéticas e seguiam a típica dieta “ocidental”, com muita carne, comida processada e açúcar.
A equipe da Dra. Duffey ajustou para fatores outros além da dieta, também, como o peso dos participantes e seus hábitos de exercícios no início do estudo.
“Eu realmente penso que a dieta global é importante”, disse a Dra. Duffey em uma entrevista.
Se você deseja reduzir calorias, substituir bebidas com açúcar por versões são açúcar fará isso, observou. “Mas se o objetivo é o impacto global na saúde”, disse, “você precisa considerar toda a dieta”.
A Dra. Duffey destacou que esse estudo foi observacional.
Além disso, se as bebidas dietéticas têm um efeito negativo na saúde cardiovascular, como alguns pesquisadores elaboraram, ou se outros fatores são responsáveis, ainda é “definitivamente uma questão em aberto”, disse a Dra. Hannah Gardener, pesquisadora na University of Miami Miller School of Medicine que liderou o estudo recente relacionando as bebidas dietéticas ao risco aumentado de doença cardíaca e acidente vascular encefálico.
“Nós ainda temos um longo caminho até elaborar um guia para a saúde pública” sobre bebidas dietéticas e saúde, disse a Dra. Gardener a Reuters Health.
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